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O bom senso

Quantas vezes escutei a frase “isso é questão de bom senso” e para mim isto era obvio, com o tempo,  ao longo da vida, fui percebendo que nada é tão óbvio assim, não existe esse “bom senso”, se existe ele é dádiva de poucos e muito poucos.

As pessoas não se dão conta de quando são inoportunas, mal educadas ou imprudentes, seja por questão de educação formal ou informal, seja por desconsiderar os limites das suas ações.

Há pessoas que pensam que o mundo gira em torno delas e o resto, bem é o resto.

Não sabem observar e aprender com os erros, e principalmente não sabem escutar, pois estão tão cheias de si que não cabe mais nada além daquilo que acham ou pensam.

Outras pessoas não só acham mas tem certeza que são melhores do que a média, e as vezes até são mesmo, mas a soberba toma conta de uma tal forma que tudo é argumento para desconsiderar a opinião alheia que destoe da sua.

Ultimamente tenho percebido que não há conceitos e pensamentos errados, há no máximo posições incoerentes ou discordantes.

Caso a pessoa tenha uma opinião completamente diferente da sua ou da maioria não quer dizer que ela está errada, é necessário indagar-se de qual premissa parte a opinião divergente.

Em se partindo de uma premissa diferente da dominante mas havendo coerência entre a premissa adotada e a opinião expressada, não há nada de errado.

Parece simples, mas a soberba não aceita a opinião divergente, não aceita a adoção de premissas diversas, e no seu inconsciente o soberbo pensa “ele (a) é um(a) imbecil”.

Quem nunca ouviu que quando se vai ser sabatinado por uma banca seja de concurso, emprego, mestrado, doutorado… a frase “leia o que o examinador já escreveu, qual a corrente ele segue e repita exatamente a mesma tese abordando de uma forma diferente, afinal todo mundo normalmente gosta de ouvir o som da própria voz”.

Salvo exceções, esta é a regra não adianta querer fugir dela. A soberba está impregnada em todos nos, em alguns em menor e em outros em maior grau.

Quem nunca ficou de frente para uma pessoa que fala como se tivesse fazendo discurso para a humanidade, e acha que é tão importante o que ela está falando que você está sendo beneficiado por estar participando daquele momento.

Poderia dizer, é questão de bom senso falar assim ou não se falar assim, e ai a pergunta sai automaticamente um indivíduo desse tem bom senso?

E quem sou eu, quem somos nós, para ir contra o que o indivíduo aprendeu ou não aprendeu a vida inteira como sendo certo ou errado? Quem sou eu, quem somos nós, para ensinar o que é bom senso?

Afinal o que é bom senso?

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A Linha Tênue

Ultimamente tenho percebido que a linha tênue está sempre presente no cotidiano da vida ordinária.

Está na “fechada”que você leva no trânsito antes de chegar ao trabalho.

Está na ligação que você recebe na hora errada.

Está naquele funcionário desagradável que você encontra quando vai resolver um problema em um departamento público.

Está naquela ligação que você faz para operadoras de celular e/ou telefone fixo.

Está no momento em que seu chefe faz um comentário desagradável sobre alguma particularidade de seu modo de viver.

Está no momento em que uma conduta inadequada e reiterada de algum conhecido/colega/amigo parece que nunca vai ser corrigida.

Está no momento em que se tem que se fazer algo que lhe traz uma sensação desagradável, e do qual não pode ou não deve se escusar.

Está em ter que participar de uma reunião sem pauta, sem objetivo, sem começo, sem meio e sem fim.

Está em ter que trabalhar, conversar e lidar com um indivíduo que em qualquer outra situação estaria fora de suas relações, por questão de opção.

Está em ter que se lidar com situações em que os comentários ou percepção dos outros a respeito de um fato, ação ou omissão, não são controláveis.

Bem a lista pode ser completada de acordo com cada particularidade e com várias outras situações que agora me fogem a memória.

Um dia em sala de aula um professor, talvez o mais brilhante que já tive, disse o que nos separa dos loucos, dos homicidas, dos delinqüentes… é uma linha tênue, é aquela força que te segura quando alguém grita com você e a sua vontade e de ir as vias de fato, é aquela força que faz você não responder no mesmo tom com que lhe indagaram… são as forças que nos sustentam.

Há os que se acham intocáveis, mas uma ex chefe um dia me disse “você só vai saber se eu sou incorruptível se alguém me oferecer um valor alto para me corromper e eu recusar, hoje eu falar que sou incorruptível significa apenas que em tese eu tenho uma convicção” achei a ponderação oportuna, pois é verdade você só tem certeza que algo funciona depois de testar e as vezes testar mais de uma vez.

Fico por aqui hoje! Até mais!

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